Quanto Custa Abrir um Café: Custos Reais de Arranque (2026)

Tabres Team
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Abrir um café pequeno com mesas em Portugal custa 60.000 € a 250.000 € em 2026. Um carrinho de café custa 12.000 € a 30.000 €. A diferença entre estes dois números não é a máquina de café — são as obras e a renda que paga durante meses antes de vender a primeira chávena.

A versão curta é esta. A sua maior rubrica são as obras, não o equipamento. A segunda maior é o dinheiro que queima com a porta fechada. Quase toda a gente que fica sem dinheiro não gastou de mais em máquinas. Simplesmente orçamentou as obras e esqueceu-se dos seis meses a seguir. Em baixo está tudo, linha a linha, com preços portugueses de 2026, três orçamentos completos e a conta do ponto de equilíbrio.

Quanto custa abrir um café?

Depende inteiramente do formato que escolhe. É a maior decisão de custo que vai tomar, e acontece antes de comprar seja o que for.

Formato Custo real, tudo incluído Tempo até abrir
Carrinho ou triciclo de café 12.000–30.000 € 2–4 meses
Roulotte ou carrinha de café 30.000–80.000 € 3–6 meses
Quiosque dentro de um edifício (centro comercial, hospital, escritórios) 35.000–90.000 € 3–5 meses
Café pequeno num espaço que já foi café (80–120 m²) 60.000–140.000 € 4–8 meses
Café pequeno num espaço em bruto 120.000–250.000 € 7–12 meses
Café com esplanada e cozinha completa 200.000–400.000 € 9–15 meses

"Espaço que já foi café" quer dizer que ali funcionou um café, uma pastelaria ou um restaurante. A canalização, a ligação de esgotos, a ventilação e a casa de banho já existem. Essa frase sozinha corta 40.000 € a 70.000 € nas obras. Se está a escolher entre uma loja em bruto bonita e uma antiga leitaria feia, fique com a leitaria e gaste 3.000 € em tinta.

Há ainda um caminho muito português: o trespasse. Compra um café já licenciado e a funcionar, com obras feitas, equipamento e, com sorte, clientes. Um trespasse de café anda entre 20.000 € e 150.000 €, conforme a zona e a faturação. Antes de pagar seja o que for, peça as declarações de IVA e os extratos dos últimos dois anos e ponha um contabilista certificado a olhar para eles.

As obras: a linha que decide tudo

Obras num espaço em bruto custam 700 € a 1.400 € por m² na maioria do país. Num espaço de 90 m² são 63.000 € a 126.000 €. Num espaço que já foi café, cai para 250 € a 600 € por m² — 22.500 € a 54.000 € pela mesma área. Em Lisboa some 10% a 15% a estes valores; no interior tire 10%.

Para onde vai mesmo o dinheiro, num espaço de 90 m²:

  • Canalização — lava-loiça de três cubas, lavatório de mãos exclusivo, pia de despejos, ralos de pavimento: 4.000–14.000 €
  • Caixa separadora de gorduras, exigida pela câmara e pela empresa de águas assim que há uma cozinha: 1.500–5.000 € instalada
  • Eletricidade — uma máquina de 2 grupos precisa de circuito próprio a 230 V e 20 a 32 A. Junte a tostadeira, a máquina de gelo e os frigoríficos e é quase certo que tem de aumentar a potência contratada: 3.500–12.000 €
  • AVAC e ventilação: 5.000–15.000 €
  • Casa de banho acessível, obrigatória em estabelecimentos abertos ao público — adaptar uma num prédio antigo: 5.000–16.000 €
  • Pavimentos, paredes, tetos e pintura: 10.000–30.000 €
  • Projeto de arquitetura e especialidades: 2.500–8.000 €
  • Taxas de licenciamento e vistorias na câmara: 300–1.500 €

Uma decisão de ementa muda isto tudo. Se serve espresso, sandes frias e pastelaria aquecida num forno de convecção sem extração, normalmente escapa à hotte pesada. Ponha uma chapa, uma fritadeira ou chama aberta e passa a precisar de hotte com extração até à cobertura, 3.000–12.000 € instalada, mais 1.500–4.000 € de sistema de extinção automática, além do certificado de conformidade da instalação de gás. Decida a comida antes de assinar o contrato de arrendamento, não depois.

O balcão, as costas do balcão e as prateleiras são orçamentados à parte e apanham toda a gente de surpresa: 5.000 € a 18.000 € por um trabalho à medida. Um carpinteiro local com um serralheiro de inox costuma ficar 25% a 40% abaixo de uma empresa de equipamento de hotelaria, com o mesmo desenho.

Equipamento: quanto custa mesmo um balcão de café

Esta é a parte divertida, e é mais pequena do que se pensa. Aqui está um balcão a sério com máquina de 2 grupos, novo e usado. Preços sem IVA — o IVA de 23% é dedutível se estiver coletado.

Equipamento Novo Usado / recondicionado
Máquina de espresso de 2 grupos 4.500–20.000 € 1.800–8.000 €
Moinhos (2: normal e descafeinado) 1.400–6.000 € 600–2.500 €
Tratamento e descalcificação da água 400–1.800 € 400–900 €
Frigoríficos de bancada (2) 1.400–3.800 € 700–1.800 €
Máquina de gelo com depósito 1.200–3.500 € 600–1.600 €
Vitrine refrigerada de pastelaria 1.500–5.500 € 700–2.500 €
Tostadeira e micro-ondas profissional 600–2.200 € 300–1.000 €
Liquidificadora profissional silenciosa 500–1.600 € 250–800 €
Máquina de lavar loiça de balcão 1.500–4.500 € 700–2.000 €
Lava-loiças (três cubas, mãos, despejos) 700–2.200 € 400–1.100 €
Pequeno material: jarros, calcadores, balanças, gaveta de borras 700–2.500 € 500–1.400 €
Total 14.400–53.600 € 6.950–23.600 €

Alguns preços reais de 2026, para se situar. Uma Fiamma ou uma Mayor de 2 grupos, novas, andam pelos 3.500 € a 6.000 €. Uma San Marco 105 Multiboiler de 2 grupos ronda os 8.800 €. Uma La Marzocco Linea PB de 2 grupos fica entre 18.000 € e 22.000 €. Uma superautomática de 2 grupos de gama alta passa facilmente dos 14.000 €. Nos moinhos, um Fiorenzato F64 Evo faz trabalho honesto por cerca de 1.300 €, enquanto um Mahlkönig E65S GbW anda pelos 3.500 € a 4.000 €.

A opinião sem rodeios: os seus clientes não conseguem distinguir uma máquina de 20.000 € de uma de 7.000 €. O seu barista consegue, e a sua fatura de manutenção também. Compre a máquina do meio da gama, gaste a diferença num moinho que segure a dose e ponha o resto no banco. A consistência do moinho aparece na chávena muito mais do que a marca da caldeira.

E aqui há um caminho que quase não existe noutros países: a máquina emprestada pela torrefação. A Delta, a Nicola, a Sical, a Buondi e as torrefações regionais cedem a máquina, o moinho e às vezes a vitrine em regime de comodato, em troca de um contrato de fornecimento — normalmente um consumo mínimo por mês durante três a cinco anos. Poupa 8.000 € a 15.000 € no dia um. Em troca, fica preso ao preço daquele fornecedor e paga a máquina, com juros escondidos, em cada quilo. Faça a conta antes de assinar: se gasta 40 kg por mês e o preço por quilo é 4 € acima do mercado, está a pagar 160 € por mês — 9.600 € em cinco anos — por uma máquina que podia ter comprado por 4.500 €.

O tratamento de água é a linha que toda a gente corta, e é a errada. A água dura enche a caldeira de calcário e transforma uma máquina de 8.000 € numa reparação de 2.000 € em dois anos. Peça a análise da água à empresa de águas do seu concelho e dimensione o filtro para o resultado.

Comprar usado é perfeitamente razoável em frigoríficos, lava-loiças, máquinas de gelo e pequeno material. Com máquinas de café, cuidado. Uma máquina recondicionada por uma empresa de assistência a sério, com garantia, é um bom negócio a 50% a 60% do preço de novo. Uma máquina do OLX sem histórico de manutenção é um bilhete de lotaria de 3.000 €.

Licenças, obrigações legais e seguros

Em Portugal, o pacote legal é mais barato do que se pensa e mais lento do que se espera. Conte com 1.500 € a 5.000 € para tudo antes de abrir, contabilista e advogado incluídos.

  • Forma jurídica. Como empresário em nome individual, abre a atividade no Portal das Finanças de graça e em quinze minutos, mas responde com o seu património pessoal. Uma sociedade unipessoal por quotas custa 360 € no Empresa na Hora e o capital social é livre, com o mínimo legal de 1 € por quota — na prática, ponha 1.000 € a 5.000 €, porque bancos e fornecedores olham para isso. Para um café com obras e um contrato de cinco anos, quase toda a gente acaba na sociedade por quotas.
  • Início de atividade nas Finanças, com o CAE certo (56301 para cafés, 56303 para pastelarias e casas de chá): grátis, online, e tem de estar feito antes da primeira fatura.
  • Registo do Beneficiário Efetivo (sociedades): grátis, nos primeiros 30 dias.
  • Mera Comunicação Prévia no Balcão do Empreendedor. É isto que substituiu a antiga licença de utilização para estabelecimentos de restauração e bebidas. Preenche o formulário, paga a taxa municipal e pode abrir no mesmo dia. A taxa anda pelos 15 € a 80 € e muda de câmara para câmara. Atenção: se mexe na fachada, muda a área ou faz obras estruturais, aí já entra no licenciamento de obras da câmara, e isso são meses.
  • Ocupação de espaço público para esplanada: 10 € a 60 € por m² por ano, com variações enormes entre municípios e bastante mais nos centros históricos de Lisboa e do Porto.
  • Manual HACCP e formação em higiene e segurança alimentar. O manual feito por um técnico custa 300 € a 1.200 €. A formação obrigatória para quem manipula alimentos custa 40 € a 120 € por pessoa em e-learning, ou 300 € a 700 € por uma sessão presencial para a equipa toda. A ASAE pede as duas coisas numa inspeção, e pede os registos de temperaturas e de limpeza a sério.
  • Livro de Reclamações eletrónico, obrigatório. O registo na plataforma dá-lhe um livro de 25 reclamações grátis; depois, 25 reclamações custam 9,93 € e 250 custam 97,34 €. O livro físico da INCM continua a ser exigido em muitos casos e ronda os 24 €.
  • Programa de faturação certificado pela AT, obrigatório desde o primeiro talão: 0 € a 60 € por mês. Tem de comunicar as séries de faturação à AT antes de as usar e enviar o SAF-T todos os meses.
  • Licença de música. Se põe música no espaço, precisa de duas: a da SPA, para direitos de autor, e a da PassMúsica (AUDIOGEST e GDA), para direitos conexos. Juntas dão tipicamente 200 € a 600 € por ano num café pequeno, conforme a área e o tipo de espaço. Há ainda a AGECOP em situações de cópia privada. Os simuladores estão nos sites das entidades.
  • Contabilista certificado, obrigatório nas sociedades: 120 € a 350 € por mês.
  • Revisão do contrato de arrendamento por um advogado: 250 € a 900 €.

Esta última é o melhor dinheiro da lista. Um contrato de arrendamento não habitacional é um compromisso de cinco a dez anos, muitas vezes com fiança pessoal. Duas horas de advogado podem tirar de lá uma cláusula que lhe custaria 30.000 €.

Os seguros de um café pequeno custam 600 € a 1.800 € por ano. Um multirriscos comercial com responsabilidade civil fica pelos 350 € a 900 €. O seguro de acidentes de trabalho é obrigatório assim que contrata a primeira pessoa e custa cerca de 1% a 2% da massa salarial. Peça a cobertura de avaria de máquinas — é barata e cobre a máquina de café.

Há ainda duas contas que não são taxas de licenciamento, mas são dinheiro a sério:

  • IVA. A taxa normal é de 23%. No serviço de restauração e bebidas, as refeições, o café, o chá, os sumos e a água ficam na taxa intermédia de 13%. As bebidas alcoólicas e os refrigerantes ficam nos 23%. Alguns bens vendidos embalados para levar, como o leite e o pão, estão na taxa reduzida de 6%. Se a fatura não discriminar as taxas, é tudo tributado a 23% — configure a sua ementa no POS com a taxa certa por artigo desde o primeiro dia.
  • Segurança Social. Como trabalhador independente paga 21,4% sobre o rendimento relevante, mas tem isenção de contribuições nos primeiros 12 meses de atividade, desde que não tenha tido atividade aberta nos três anos anteriores. É um ano inteiro de folga na tesouraria, e quase ninguém o mete no plano. Como entidade patronal, paga 23,75% de Taxa Social Única por cima de cada salário bruto que pagar.
  • Regime simplificado ou contabilidade organizada. Abaixo de 200.000 € de faturação pode ficar no simplificado; acima disso, e sempre nas sociedades, é contabilidade organizada. A diferença dá facilmente milhares de euros por ano.

As taxas e as regras mudam todos os anos e variam muito de concelho para concelho. Confirme os valores atuais com a sua câmara municipal, com as Finanças e com um contabilista certificado antes de fechar o orçamento.

Renda, caução e os meses em que paga sem vender

A renda de um café em Portugal anda entre 8 € e 45 € por m² por mês, e sobe muito acima disso nas ruas boas.

Zona Renda por m² por mês
Ruas prime de Lisboa e Porto (Chiado, Baixa, Avenida, Cedofeita) 55–130 €
Zonas centrais de Lisboa e Porto 22–45 €
Bairros residenciais de Lisboa e Porto 12–22 €
Cidades médias (Braga, Coimbra, Aveiro, Leiria, Setúbal) 8–16 €
Interior e vilas 5–10 €

Um espaço de 90 m² a 15 €/m² são 1.350 € por mês. Junte condomínio, IMI repercutido e seguro do edifício, se o contrato os passar para si, e chega perto de 1.400 € por mês.

Nos contratos de arrendamento não habitacional o senhorio pede tipicamente duas a três rendas de caução mais a primeira renda adiantada. Num espaço de 1.400 €, são 4.200 € a 5.600 € no dia da assinatura. Muitos pedem ainda fiador ou garantia bancária, o que congela mais dinheiro.

Depois vem a parte que ninguém orçamenta. Licenciamento, obras e vistorias levam três a seis meses, e paga renda em todos eles. São 4.200 € a 8.400 € de renda contra 0 € de vendas.

Duas coisas para negociar com força, antes de assinar:

  1. Carência de renda durante as obras. Três a seis meses é normal em Portugal. Peça. Muitos senhorios dão, em vez de perderem o inquilino.
  2. Divisão das obras estruturais. A comparticipação do senhorio é menos comum cá do que lá fora, mas existe: ou o senhorio entrega o espaço com canalização, eletricidade e casa de banho feitas, ou dá mais meses de carência. Nunca aparece sem se pedir.

Peça também que o trespasse fique expressamente permitido no contrato. Se um dia quiser sair, é isso que vende — e um contrato que o proíbe transforma o seu café numa coisa sem valor de revenda.

Mantenha renda mais encargos abaixo de 10% das vendas líquidas de IVA. Abaixo de 8% é confortável. Acima de 12%, está a trabalhar para o senhorio.

POS, pagamentos e tecnologia

A tecnologia é uma linha pequena na abertura e uma linha permanente para sempre, por isso olhe para as duas.

  • Equipamento por posto: 500 € a 1.800 € (tablet ou monitor, suporte, gaveta de dinheiro, impressora de talões). A maioria dos cafés pequenos precisa de um posto; os movimentados, de dois.
  • Software de POS certificado pela AT: 0 € a 60 € por mês por posto. É a única linha desta lista que pode honestamente ser 0 € — já há plataformas que não cobram nada pelo software. Abrimos o mercado todo no nosso guia sobre quanto custa mesmo um sistema POS para restaurantes, e explicámos o que significa mesmo um POS gratuito para um café pequeno.
  • TPA e comissões de cartão: 15 € a 30 € por mês de aluguer do terminal, mais comissão. Aqui Portugal tem sorte: os pagamentos Multibanco a débito custam tipicamente 0,2% a 0,9% por transação, e só os cartões de crédito e os cartões estrangeiros sobem para 1,2% a 1,9%. Num café que receba 15.000 € por mês a cartão, isso dá 75 € a 200 € por mês. É bem menos do que em muitos países, mas nunca desaparece.
  • Licença de música: SPA mais PassMúsica, 200 € a 600 € por ano. Um serviço de música para negócios já licenciado sai por 25 € a 40 € por mês e costuma compensar.
  • Internet: 35 € a 70 € por mês numa linha de empresa.
  • Balança, impressora de etiquetas e ementa de parede: 300 € a 2.500 €, conforme seja de giz ou digital.

Stock de abertura e salários antes de abrir

O stock de abertura de um café pequeno é de 2.500 € a 5.000 €.

O café é a parte mais pequena da conta. Um café que faça 250 bebidas por dia gasta 10 a 15 kg de grão por semana. O grão para hotelaria custa 10 € a 18 € por kg nas torrefações tradicionais e 18 € a 30 € por kg no café de especialidade, por isso duas semanas de stock inicial ficam em 250 € a 800 €. Tudo o resto — leite, açúcar, xaropes, copos, tampas, guardanapos, pastelaria, produtos de limpeza e pacotes de café para venda — são os outros 2.250 € a 4.200 €.

Depois há os salários antes da receita. Precisa de duas a quatro pessoas formadas uma a duas semanas antes de abrir: a afinar a extração, a decorar a ementa, a fazer serviço para amigos e família. Conte 1.500 € a 4.000 € em salários antes da primeira venda. Saltar esta parte é como uma abertura suave se transforma em oito minutos de espera e numa primeira crítica má no Google.

Fundo de maneio: o número que mata mais cafés

Guarde seis meses de custos fixos em dinheiro depois de abrir. Num café pequeno, são 25.000 € a 45.000 €.

É esta a linha que os principiantes cortam quando as obras derrapam, e é a razão pela qual a maioria dos fechos acontece entre o sétimo e o décimo quarto mês. Não é café mau. Não é má localização. É simplesmente não sobrar pista quando chega um fevereiro fraco.

Aqui está o aspeto real dos custos fixos mensais de um café pequeno de 90 m², com 2,5 pessoas a tempo inteiro:

Custo fixo mensal Valor
Renda e encargos 1.400 €
Pessoal (2,5 a tempo inteiro, com TSU e seguro de acidentes) 4.000 €
Água, luz e gás 520 €
Seguros 70 €
Contabilista certificado 200 €
Software, internet e subscrições 90 €
Reparações, limpeza e diversos 220 €
Prestação do crédito ou leasing 650 €
Total 7.150 €

São cerca de 42.900 € para seis meses de porta aberta. A sua reserva não precisa de cobrir isso tudo — as vendas cobrem a maior parte — mas precisa de cobrir o buraco dos meses fracos sem que tenha de mexer nos salários.

Três orçamentos completos

Números reais para três caminhos reais.

Rubrica Carrinho de café Café pequeno, espaço já usado Café pequeno, espaço em bruto
Obras 0 € 28.000 € 85.000 €
Equipamento 9.000 € 24.000 € 38.000 €
Mobiliário e balcão 0 € 9.000 € 20.000 €
Licenças, taxas, contabilista e advogado 900 € 2.600 € 4.500 €
Caução e rendas antes de abrir 600 € 9.800 € 14.000 €
POS e tecnologia 700 € 1.600 € 2.600 €
Sinalética e imagem 900 € 4.500 € 8.000 €
Stock de abertura 900 € 3.000 € 4.200 €
Salários e formação antes de abrir 800 € 2.500 € 4.000 €
Fundo de maneio (6 meses) 4.000 € 22.000 € 38.000 €
Total 17.800 € 107.000 € 218.300 €

Se vai financiar isto com o banco, conte com uma entrada de 20% a 30% e com aval pessoal pelo resto. O crédito a pequenas empresas em Portugal tem andado nos 5% a 8%, e o leasing de equipamento nos 6% a 9% — confirme os valores do dia, porque acompanham a Euribor. Financiar 30.000 € de equipamento a 60 meses a cerca de 7% custa cerca de 594 € por mês.

Antes de ir ao banco, fale com o IEFP sobre as linhas Microinvest e Invest+ para criação do próprio emprego, e com o IAPMEI e o Banco Português de Fomento sobre linhas com garantia mútua. As condições e os prémios mudam todos os anos.

Quanto ganha mesmo uma chávena

O café tem das melhores margens de toda a restauração. Aqui está um galão grande vendido a 3,20 € na ementa, com custos de 2026.

Componente Valor
Preço na ementa 3,20 €
IVA a 13% −0,37 €
Receita líquida 2,83 €
18 g de café em grão (a 16 €/kg) −0,29 €
280 ml de leite meio gordo (a 0,85 €/L) −0,24 €
Copo de 40 cl, tampa e manga −0,15 €
Xarope, palheta e desperdício −0,05 €
Custo total do produto 0,73 €
Margem bruta 2,10 € (74%)

Repare no que aconteceu na segunda linha: o preço da ementa inclui IVA, e 37 cêntimos de cada galão vão diretos para o Estado. Quem faz as contas sobre o preço com IVA vê margens que não existem.

As bebidas dão 70% a 85% de margem bruta. A pastelaria comprada dá 45% a 60%. Os pacotes de café para levar para casa dão 35% a 50%. Misture tudo e um café típico fica entre 28% e 33% de custo das mercadorias.

Um aviso rápido sobre as bebidas vegetais. Uma bebida de aveia de barista custa 1,60 € a 2,60 € por litro no grosso, contra 0,85 € do leite de vaca, por isso um galão de aveia custa-lhe mais 20 a 50 cêntimos. Se um quarto das suas bebidas leva bebida vegetal e não cobra nada por isso, está a oferecer cerca de 9 cêntimos por bebida em toda a ementa. A maioria dos cafés cobra hoje 30 a 60 cêntimos, ou põe o custo no preço base. Escolha uma das duas, mas não ignore. A mesma lógica serve para todos os artigos da sua ementa — se nunca fez as contas artigo a artigo, o nosso guia sobre como calcular o custo por prato funciona exatamente da mesma maneira para bebidas.

Quando é que atinge o ponto de equilíbrio?

Pegue nos custos fixos de há pouco — 7.150 € por mês — e numa margem de contribuição de 70% depois do custo das mercadorias.

Ponto de equilíbrio = 7.150 € ÷ 0,70 = 10.214 € por mês de receita líquida de IVA.

Com uma taxa média de IVA de 13%, isso são cerca de 11.540 € de vendas ao balcão. Num café aberto seis dias por semana, dá cerca de 445 € por dia. Com um ticket médio de 4,20 €, precisa de cerca de 106 clientes por dia para pagar tudo.

Um café independente com movimento, a fazer 260 clientes por dia a 4,20 €, faz cerca de 28.400 € por mês, ou 341.000 € por ano.

O lucro líquido realista de um café bem gerido em Portugal é de 4% a 10% das vendas. Sobre 250.000 € por ano, são 10.000 € a 25.000 € — antes de se pagar a si próprio um ordenado de gerente, se for o dono a estar ao balcão. O retorno do investimento inicial leva normalmente três a cinco anos.

Duas contas para ver todas as semanas: pessoal abaixo de 32% das vendas líquidas e custo das mercadorias abaixo de 33%. Se as duas se aguentarem, o negócio funciona. Se qualquer uma delas chegar aos 38%, o lucro desapareceu, por muito bom que seja o café.

Onde é que se desperdiça mais dinheiro na primeira vez

  • Pegar num espaço em bruto para poupar na renda. Menos 3 €/m² por mês em 90 m² poupa 3.240 € por ano. As obras custam mais 55.000 €. Essa conta nunca dá.
  • Comprar a máquina de topo. Uma máquina de 18.000 € em vez de uma de 7.000 € são 11.000 € que podia ter guardado como pista.
  • Mesas a mais. Cada mesa ocupa metros quadrados, e metros quadrados são renda para sempre. Um café de 80 m² com 20 lugares ganha muitas vezes mais do que um de 140 m² com 50.
  • Tudo à medida. Balcão à medida, azulejo à medida, candeeiros à medida. Cada um deles junta semanas às obras, e semanas são renda.
  • Assinar o contrato da torrefação sem fazer a conta. A máquina "grátis" do fornecedor pode custar-lhe 9.600 € em cinco anos, pagos ao quilo, sem nunca aparecer num orçamento.
  • Uma ementa larga demais. Cada xarope extra é stock que caduca. Doze bebidas feitas depressa valem mais do que trinta feitas devagar.
  • Ficar sem reserva. Tudo o que está acima tem volta. Este não tem.

Cinco formas de cortar 50.000 € nas obras

  1. Escolha um espaço que já foi café. A maior alavanca de todas: 30.000 € a 70.000 €.
  2. Compre o frio em segunda mão. Frigoríficos, máquina de gelo, lava-loiças, máquina de lavar loiça — poupa 4.000 € a 9.000 € sem desvantagem nenhuma.
  3. Não meta cozinha quente na abertura. Sem hotte, sem sistema de extinção, sem instalação de gás: 6.000 € a 18.000 € poupados. Torradas, tostas e pastelaria comprada dão para começar. A cozinha entra no ano dois, quando já souber o movimento.
  4. Use um carpinteiro local para o balcão, em vez de uma empresa de equipamento de hotelaria: 25% a 40% menos pelo mesmo desenho.
  5. Negoceie carência de renda durante as obras. Quatro meses a 1.400 € são 5.600 € que ficam consigo.

Faça três destas cinco e um projeto de 120.000 € passa a 80.000 €. O mesmo café. O mesmo café na chávena.

Perguntas frequentes

Consigo abrir um café com 25.000 €? Sim, como carrinho, roulotte ou quiosque pequeno. Não como café com mesas, contrato de arrendamento e obras. Quem lhe vender um plano de 25.000 € com porta para a rua está a deixar de fora o fundo de maneio.

Quanto custa mesmo a máquina de café? De 4.500 € a 20.000 € numa máquina de 2 grupos decente e nova, ou de 1.800 € a 8.000 € recondicionada com garantia. Ou 0 € no dia um, se aceitar o comodato de uma torrefação — e depois paga-a ao quilo durante cinco anos. É normalmente 8% a 15% do investimento total, não a estrela que toda a gente espera.

Vale a pena o trespasse de um café já a funcionar? Muitas vezes sim. Compra o espaço já licenciado, as obras feitas, o equipamento e, com sorte, os clientes, e abre em semanas em vez de meses. Um trespasse anda entre 20.000 € e 150.000 €. Peça as declarações de IVA e os extratos bancários dos últimos dois anos, e confirme que a Mera Comunicação Prévia e o licenciamento estão em ordem antes de pagar seja o que for.

Preciso de um plano de negócios? Para o banco, para o IEFP ou para uma linha do Banco Português de Fomento, sim, e vão querer três anos de projeções. Para si, os dois números que interessam são os clientes por dia no ponto de equilíbrio e a reserva de seis meses. Se não conseguir defender esses dois, o plano não o salva.

Qual é a forma mais rápida de abrir? Um carrinho ou uma roulotte, em dois a quatro meses. Um café com porta para a rua leva quatro a doze meses desde a assinatura do contrato, e o atraso está quase sempre no licenciamento e nas vistorias — não na construção.


O resumo honesto é este: o seu café custa aquilo que custarem as obras, mais seis meses de dinheiro para sobreviver. O equipamento é a parte com que se vai obcecar e a que menos pesa no orçamento.

Por isso trabalhe ao contrário. Escolha o formato, procure um espaço que já foi café, peça um orçamento de obras a sério antes de assinar o contrato de arrendamento e guarde uma reserva em que se recusa a tocar. Depois compre a máquina do meio da gama, um moinho melhor do que acha que precisa, e vá fazer café. Os cafés que duram não são os que abriram mais bonitos. São os que ainda estavam abertos no mês catorze.

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