Preços na Ementa com IVA Incluído ou sem IVA: Qual Usar? (2026)

Tabres Team
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Aqui fica a versão curta, antes de tudo o resto: em quase todo o mundo, não é o dono do restaurante que escolhe. Se serve clientes em Portugal, na União Europeia, no Reino Unido, na Austrália, no Japão ou no Golfo, o preço da sua ementa já tem de incluir o imposto. Isso é a lei, não é estratégia. Nos Estados Unidos e no Canadá o imposto é somado na caixa por defeito — e só alguns estados deixam metê-lo dentro do preço, com um aviso bem visível. E onde há mesmo escolha, o preço com IVA incluído ganha em confiança e em rapidez, enquanto o preço sem imposto ganha no número que salta à vista.

Essa última parte pesa mais do que os donos esperam. Em Portugal continental, uma refeição no restaurante leva 13% de IVA, mas a cerveja e o refrigerante da mesma mesa levam 23%. Na Madeira a taxa intermédia é 12% e nos Açores 9%. Um prato de 15 € já traz 1,73 € de imposto lá dentro. Se somasse o IVA por cima, esse mesmo prato chegava à conta a 16,95 € — e ninguém à mesa estava à espera disso.

Vamos então ver que método de preços serve o seu restaurante, o que dizem as regras em 2026, e a conta que, em silêncio, tira dinheiro do bolso dos operadores todos os dias.

Preços com IVA incluído ou sem IVA na ementa: a diferença em 30 segundos

Preço sem IVA (também chamado preço líquido, ou "acresce IVA") quer dizer que a ementa mostra o valor antes do imposto. O cliente vê 14,00 €. A caixa diz 15,82 €. O imposto fica por cima.

Preço com IVA incluído (preço final, ou "tudo incluído") quer dizer que a ementa mostra o número final. O cliente vê 15,00 € e paga 15,00 €. Dentro desses 15 € há cerca de 1,73 € de imposto que continua a dever ao Estado — o cliente é que nunca tem de fazer contas.

A mesma refeição. O mesmo imposto a entregar. Uma sensação completamente diferente no fim do jantar.

As regras por país (veja isto primeiro)

Antes de pensar em estratégia, veja se tem sequer alguma decisão para tomar. Ponto da situação em 2026:

Onde trabalha O que a lei espera
Portugal O preço mostrado ao consumidor tem de ser o preço total a pagar, com IVA e todos os outros impostos incluídos (Decreto-Lei n.º 138/90). Nos restaurantes e cafés, a lista de preços ainda tem de estar visível do lado de fora.
União Europeia Os preços mostrados ao consumidor têm de incluir o IVA e todos os outros impostos (Diretiva 98/6/CE). O preço com imposto incluído é obrigatório.
Reino Unido Os preços ao consumidor têm de incluir o IVA. Mesma regra, mesmo resultado.
Austrália / Nova Zelândia Preços ao consumidor com GST incluído.
Japão Mostrar o preço total, com imposto, é obrigatório desde abril de 2021.
Emirados / Arábia Saudita Os preços mostrados têm de incluir o IVA.
Estados Unidos O imposto sobre vendas é somado na caixa por defeito. Alguns estados permitem preços com imposto incluído se afixar um aviso claro.
Canadá Somado na caixa, como nos EUA.

Duas coisas a reter. Primeira: o hábito de mostrar preços sem imposto, que parece normal na América do Norte, é mesmo raro no resto do mundo. Segunda: se está em Portugal, a decisão já está tomada por si — mas há uma zona onde ainda pode escolher, e é aí que vale a pena parar.

Um restaurante em Portugal pode mostrar preços sem IVA?

Ao consumidor final, não. A empresas, sim — e é nessa fronteira que quase todos os erros acontecem.

O Decreto-Lei n.º 138/90 obriga a que o preço mostrado ao consumidor seja o preço total a pagar, com todos os impostos incluídos. Na restauração há ainda uma exigência extra: a lista de preços tem de estar afixada de forma legível do lado de fora, antes de o cliente entrar. Quem fiscaliza é a ASAE, e a coima nunca compensa a poupança.

Fora disso há uma zona legítima para o valor líquido: orçamentos e faturação a empresas. Num catering para uma empresa, num almoço de trabalho contratado ou num evento faturado a uma sociedade, é normal — e até esperado — apresentar o valor sem IVA com a frase "acresce IVA à taxa legal em vigor". Quem recebe a fatura deduz o imposto, por isso compara sempre valores líquidos.

O padrão é sempre o mesmo: pode separar o imposto, mas nunca o pode esconder. Continua a calculá-lo, a declará-lo e a entregá-lo.

Um aviso — estas regras mudam, e quem as escreve é o legislador e a Autoridade Tributária, não um blogue. Antes de reimprimir uma única ementa, confirme a obrigação em vigor com o seu contabilista certificado. Um telefonema de cinco minutos vale mais do que uma inspeção.

Quando o preço com IVA incluído é mesmo a melhor escolha

O número final é obrigatório, mas qual é o número final continua a ser seu. Estas quatro situações pedem valores redondos, com o imposto já lá dentro.

1. Bares e balcões com muito movimento. Uma imperial de 2,50 € que fica mesmo nos 2,50 € vale dinheiro numa sexta-feira cheia. Sem moedas, sem procurar trocos, sem "são 2,83 €". Quem está ao balcão serve mais depressa, a caixa fecha mais fácil e a fila anda.

2. Food trucks, festivais e feiras. Números redondos são o jogo todo quando se servem 400 pessoas em duas horas. O dinheiro vivo arredonda bem e o cartão passa mais rápido.

3. Menus fixos, catering e eventos. Quando dá 85 € por pessoa para um casamento, o cliente ouve 85 €. Depois chega a fatura com 96,05 € e a conversa fica desconfortável. Dê o número com tudo incluído e passa por organizado em vez de passar por esperto.

4. Casas com muitos turistas. Esta é subestimada. Um visitante de Espanha, de França ou da Alemanha nunca na vida viu um preço subir na caixa; um americano viu sempre. Se metade da sua sala vem de fora, o número final na ementa é o que evita a discussão à hora da conta. É a mesma lógica das ementas QR multilingues para turistas: vá ao encontro do cliente onde as expectativas dele já estão.

Quando o preço sem IVA ainda ganha

Sendo justos, há razões reais para pensar em valores líquidos.

  • Comparação de preços entre empresas. Um orçamento de catering de 85 € + IVA fica ao lado do de um concorrente a 96 € com tudo incluído e parece mais barato, mesmo não sendo. Quem compra para uma empresa deduz o IVA e compara sempre líquidos. Se concorre nesse mercado, apresente os dois números.
  • Os preços psicológicos partem do número final. 9,95 € faz um trabalho que 11,24 € não faz — e 11,24 € é exatamente onde vai parar se puser 9,95 € como valor líquido e deixar o sistema somar o IVA. Pense ao contrário: escolha primeiro o número que quer na ementa e tire o imposto de dentro.
  • Margem clara para a sua equipa. Quando trabalha com o preço líquido, a percentagem de custo de matéria-prima lê-se num relance, sem contas ao contrário. Se já anda metido no custo por prato, isto poupa-lhe um passo.
  • Vários estabelecimentos com taxas diferentes. As taxas não são iguais em todo o país: 13% no continente, 12% na Madeira, 9% nos Açores. Com três casas em três regiões, um preço líquido único dá-lhe consistência interna — o preço da ementa é que vai ser diferente em cada uma.

A mudança de 2026: tudo caminha para o preço final

Aqui está a tendência que vale a pena seguir. Os reguladores passaram os últimos anos a atacar as surpresas na hora de pagar — e mesmo que nenhuma destas regras mexa no IVA da ementa, a direção é inconfundível.

  • A obrigação de preço final vem da Diretiva 98/6/CE e, cá dentro, do Decreto-Lei n.º 138/90: o que está afixado é o que o cliente paga, impostos incluídos. Na restauração, a lista tem de ser legível do lado de fora.
  • A Diretiva Omnibus, transposta pelo Decreto-Lei n.º 109-G/2021 e em vigor desde 28 de maio de 2022, obriga a que qualquer anúncio de desconto mostre o preço mais baixo praticado nos 30 dias anteriores. Vale para menus promocionais e campanhas de happy hour.
  • O couvert está regulado pelo Decreto-Lei n.º 10/2015: o que vai para a mesa sem ser pedido pode ser recusado e não se paga, e o preço de cada item tem de constar da lista. Nada de pão e manteiga que aparece na conta a 4,50 €.
  • A taxa de serviço não é obrigatória em Portugal. Se cobrar alguma, tem de estar na ementa, com o valor e a razão, antes de o cliente pedir.
  • A fatura tem de separar o imposto. O Código do IVA obriga a mostrar a base tributável e o imposto por cada taxa aplicada, e o software de faturação tem de estar certificado pela Autoridade Tributária. Um talão que mistura os 13% e os 23% numa linha só não cumpre.

Leia isto tudo junto e a mensagem é clara: o número que o cliente vê deve ser o mais próximo possível do número que ele paga. No IVA isso já é obrigatório. O trabalho que sobra está nas taxas de serviço, no couvert e nos extras — e é o momento natural para arrumar a ementa toda de uma vez.

O erro de contas que custa dinheiro a sério

Esta é a parte para ler duas vezes. Trabalhar com preços com IVA incluído quer dizer tirar o imposto de dentro do preço, e muita gente faz isto ao contrário.

Errado: 15,00 € de preço na ementa × 13% = 1,95 € de IVA. Certo: 15,00 € ÷ 1,13 = 13,27 € de valor líquido. IVA = 1,73 €.

A fórmula é:

IVA = preço × taxa ÷ (1 + taxa)

Essa diferença de 22 cêntimos parece nada. Multiplique-a por 120 refeições por dia e são 26,40 € por dia — cerca de 7.900 € por ano em 300 dias de abertura. Dinheiro que ou pagou a mais ao Estado, ou cobrou a menos ao cliente. Nenhuma das duas coisas dá jeito descobrir numa inspeção.

A mesma lógica ao contrário, quando define preços. Para chegar a um preço final de 15,00 € com IVA a 13%, o valor líquido é 13,27 €, e não 13,05 €. Erre isto numa ementa de 60 pratos e o desvio deixa de ser teórico.

Como mudar sem perder margem

  1. Confirme a taxa certa de cada coisa. No continente, os serviços de restauração estão a 13%, mas as bebidas alcoólicas, os refrigerantes, os sumos e as águas aromatizadas ficam a 23%. Na Madeira e nos Açores as taxas são outras. Não existe uma taxa única para a sua carta.
  2. Separe por categoria. Comida, álcool, bebidas sem álcool e take-away tratam-se à parte — às vezes a mesma sandes muda de conta conforme o cliente come na sala ou leva. Uma taxa única aplicada a tudo estraga os seus números em silêncio.
  3. Tire o imposto de dentro como deve ser. Use a fórmula acima, uma vez por cada taxa.
  4. Volte a fixar preços redondos — não converta e pronto. 14,00 € mais 13% dá 15,82 €. Não imprima 15,82 €. Decida entre 15,50 € (perde 32 cêntimos) e 16,00 € (ganha 18). Converter à máquina deixa-lhe a ementa mais feia da rua. É o momento certo para fazer uma passagem a sério de engenharia de ementas e voltar a fixar preços com intenção, não com aritmética.
  5. Afixe a lista de preços. A lista tem de estar visível do exterior, e a indicação "IVA incluído à taxa legal em vigor" deve constar da ementa. É a primeira coisa que a ASAE vê.
  6. Veja se o seu POS aguenta isto. Nem todos os sistemas fazem imposto incluído por produto, e alguns arredondam por linha em vez de por conta — o que desvia cêntimos em cada talão. Cá dentro há ainda o requisito extra da certificação pela AT e do talão com base e imposto por taxa. Teste com um pedido de 6 artigos, metade a 13% e metade a 23%, antes de decidir.
  7. Cuidado com as apps de entregas. É aqui que se cai. Cada plataforma tem a sua regra sobre o preço que carrega e sobre a taxa que aplica a cada categoria, e é fácil ficar com a carta toda a 13%, cervejas incluídas. Confirme com a plataforma antes de carregar a lista e verifique um pedido real, linha a linha.

Uma nota prática sobre o ponto 6: é aqui que uma ementa digital se paga. No Tabres, o imposto configura-se por estabelecimento, com um botão de "somar ao preço de tabela", por isso pode ter preços com imposto incluído numa casa e sem imposto noutra sem manter duas ementas. É grátis, motor de impostos incluído — aqui está a razão. Seja qual for o sistema que usar, a exigência é a mesma: taxas por estabelecimento, classes por categoria e um botão claro de incluído/não incluído.

Os preços com IVA incluído prejudicam as gorjetas?

Muito pouco em Portugal — e convém saber porquê, se anda a ler conselhos americanos.

Nos Estados Unidos o costume é dar gorjeta sobre o subtotal antes do imposto, por isso lá a discussão faz sentido. Cá a gorjeta é opcional e pequena: arredondar a conta, deixar 1 € ou 2 € por pessoa, ou 5% a 10% numa refeição mais formal. Como o preço já inclui o imposto há décadas, ninguém anda a fazer contas à mesa.

A resposta honesta: o efeito é pequeno e depende muito de quem se senta nas suas mesas. O risco maior não é a percentagem da gorjeta — é um talão que não separa o imposto e deixa o cliente sem perceber sobre o que está a dar. Garanta que o talão mostra a base, o IVA por taxa e o total em linhas separadas. A lei já obriga a isso, e acaba com a confusão. Se dividir contas já é uma dor de cabeça todas as noites, aqui fica como resolver isso sem atrasos.

Perguntas frequentes

É legal mostrar preços sem IVA na ementa em Portugal? Ao consumidor final, não. O preço afixado tem de ser o preço total a pagar, com o imposto incluído. Em orçamentos e faturação a empresas pode indicar o valor líquido, desde que escreva claramente "acresce IVA à taxa legal em vigor".

Como calculo o imposto que está dentro de um preço com IVA incluído? Divida, não multiplique. IVA = preço × taxa ÷ (1 + taxa). Um artigo de 15,00 € a 13% tem 1,73 € de imposto lá dentro, e não 1,95 €.

Os preços de take-away e de entrega devem incluir IVA? Sim, sempre que o preço é mostrado ao consumidor — na sua página, nas apps ou ao balcão. O cuidado é outro: confirme que cada artigo está na taxa certa, porque a comida e as bebidas alcoólicas não pagam o mesmo.

Tenho de reimprimir as ementas quando a taxa de IVA muda? Com preços finais, sim — todos os preços da ementa ficam errados no dia em que a taxa muda, e já aconteceu cá mais do que uma vez. É o argumento prático mais forte a favor de uma ementa digital, e vale a pena pesá-lo contra o que as reimpressões lhe custam mesmo ao fim de um ano.

O que é melhor para um restaurante novo? Siga a norma local. Cá isso quer dizer preço final na ementa e na lista afixada à porta. A decisão que lhe sobra é mais importante do que parece: escolher primeiro o número que quer que o cliente veja, e só depois fazer as contas para trás.


Não há uma resposta certa para toda a gente, mas há uma resposta certa para o seu restaurante. Em Portugal e no resto da Europa, a lei decide por si. O que continua nas suas mãos é uma pergunta só: o seu cliente precisa mais de um número baixo para comparar ou de um número final em que confia?

A alta cozinha, os bares, os eventos e as casas de turistas querem quase sempre confiança. O fast casual, as entregas e qualquer sítio onde os clientes comparam preços online querem quase sempre a comparação. Escolha um caminho, aplique-o em todo o lado — ementa, site, código QR, cavalete de mesa — e nunca deixe o número mudar entre a ementa e a conta. O cliente perdoa muito mais facilmente um preço alto do que um preço com surpresa.

E de qualquer maneira, confirme as contas antes de imprimir. Divida, não multiplique.

As regras sobre IVA, afixação de preços e divulgação de taxas obrigatórias mudam com frequência e variam entre regiões e países. Confirme as suas obrigações atuais com a Autoridade Tributária ou com o seu contabilista certificado antes de mexer nos preços da ementa.

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