Na escolha entre Coca-Cola ou Pepsi para restaurantes, a Coca-Cola ganha na marca que o cliente pede pelo nome. A Pepsi responde com marcas portuguesas. Em Portugal, quem a vende é a Sumol+Compal, com o Sumol, o Compal e o Lipton Ice Tea no mesmo contrato. As duas emprestam a máquina de post-mix, a que mistura o xarope com água com gás, e reparam-na sem custos. O rappel é o dinheiro que lhe devolvem por cada litro de xarope que compra. Esse dinheiro e o apoio para marketing saem do preço do xarope, por isso compare o custo por bebida em todo o contrato. Peça por escrito os prazos de reparação e o custo de sair, e nunca dê a nenhuma das duas acesso livre à sua conta. Abaixo de cerca de 70 bebidas por dia, uma marca de xarope mais pequena, numa máquina sua, costuma bater as duas.

O que a Coca-Cola e a Pepsi dão a um restaurante

A oferta vem num só pacote, e quase tudo é emprestado em comodato: continua a ser deles, e fica consigo enquanto comprar as bebidas deles. Costuma juntar algumas destas coisas:

  • A máquina de post-mix, instalada com os tubos, o suporte para as caixas de xarope e o filtro de água.
  • Reparações grátis enquanto o contrato durar.
  • Um frigorífico com porta de vidro para latas e garrafas.
  • Dinheiro para imprimir as ementas, placas ou um quadro, desde que tenham o logótipo deles.
  • Um rappel, muitas vezes pago uma vez por ano.
  • Dinheiro para uma máquina de gelo, caixas de bebidas grátis na abertura, e guarda-sóis ou cadeiras para a esplanada com a marca deles.

O que pedem em troca é sempre o mesmo. Pedem exclusividade, ou seja, que só venda os refrigerantes deles durante um número fixo de anos. E que compre um mínimo de xarope.

Um contrato real mostra como funciona. Nos EUA, o contrato de post-mix da Coca-Cola com a Rubio's, uma cadeia de tacos, é público. Foi entregue em 2008 à SEC, o regulador da bolsa americana. Durava cinco anos, ou até a Rubio's comprar uma quantidade combinada de xarope, o que viesse mais tarde. As máquinas continuavam a ser da Coca-Cola. Sair mais cedo obrigava a devolver o apoio ainda não ganho, mais parte do custo da instalação. As reparações eram grátis, mas mudar uma máquina de sítio ou trocar um sabor custava à parte.

Um sítio pequeno recebe um negócio mais pequeno, e as duas marcas nem sempre oferecem o mesmo. Nos EUA, uma casa de almoços pediu uma máquina à Coca-Cola e só lhe ofereceram um frigorífico para latas. A Pepsi deu-lhe a máquina completa, com tubos, suportes e filtros. Dez anos depois, a Pepsi já lhe reparou o frigorífico várias vezes sem cobrar. Outros donos contam o contrário: sete anos de Coca-Cola sem problemas e uma instalação da Pepsi que correu mal. Peça uma proposta por escrito às duas antes de assinar com alguma.

Coca-Cola ou Pepsi para restaurantes, lado a lado

Coca-ColaPepsi
Quem a vende em PortugalCoca-Cola Europacific Partners (CCEP), com fábrica em AzeitãoSumol+Compal, que tem a Pepsi desde 1987
O que vem no mesmo contratoFanta, Sprite, Fuze Tea, Monster7UP, Sumol, Compal, Lipton Ice Tea, Frize, Gatorade
Apoio ao cliente808 200 248 e o portal MyCCEP808 200 232
Vendas nos EUA em 2025N.º 1, com 18,5% das vendasN.º 3
O argumento do comercialA marca que o cliente pede pelo nomeAs marcas portuguesas que vêm com a Pepsi

Os números de vendas são da Beverage Digest (abril de 2026), só contam os EUA e juntam lojas e restaurantes. Ao mudar de marca, as ligações das caixas de xarope também contam. Nos EUA, a caixa da Coca-Cola usa uma ligação só dela, por isso mudar obriga a tubos ou adaptadores novos. Pergunte ao técnico se o mesmo vale para a sua máquina.

O comercial da Coca-Cola vende a bebida misturada. O cliente pede «um rum com Coca-Cola» pelo nome, e ninguém pede «um rum com Pepsi». Num bar ou num restaurante com uma carta de bebidas completa, esse argumento está certo. Num snack-bar, a maioria dos clientes aceita a cola que houver.

O comercial da Sumol+Compal vende as outras marcas. Ao almoço, o cliente pede «um Compal», «um Sumol» ou «um Ice Tea» pelo nome, e os três vêm no contrato da Pepsi. Numa casa de almoços, isto pesa mais do que a cola.

O chá gelado segue a cola. A Lipton Ice Tea chega aos restaurantes pela Sumol+Compal. A Coca-Cola trouxe o Fuze Tea para Portugal em 2025, feito na fábrica de Azeitão. Se o contrato só deixa vender bebidas da Coca-Cola, a Lipton sai da ementa e entra o Fuze Tea. Pergunte aos dois comerciais que bebidas ficam de fora antes de assinar.

Quanto custa, de facto, uma máquina grátis

Este é o exemplo usado em todo o artigo (Portugal, setembro de 2026). Um snack-bar de almoços em Lisboa, com serviço ao balcão, vende 60 refrigerantes de máquina por dia, 6 dias por semana. São 18.720 bebidas por ano, cada uma num copo de 40 cl a 2,50 €.

A caixa de xarope chama-se bag-in-box (BIB): um saco de xarope dentro de uma caixa de cartão. Na máquina, 1 parte de xarope junta-se a 5,5 partes de água com gás. Por isso, uma caixa de 10 L faz 65 L de refrigerante. Um copo de 40 cl com gelo leva cerca de 28 cl de refrigerante (regra prática). Assim, uma caixa enche cerca de 232 copos, e o snack-bar gasta cerca de 81 caixas por ano.

Em Portugal, cada fornecedor faz o seu preço de xarope ao cliente. Como referência, a PostmixSirup24 é uma loja online alemã para profissionais. Vende a caixa de 10 L de Coca-Cola a 119,99 € sem IVA (setembro de 2026). Tome 120 € por caixa. Todos os valores do exemplo são sem IVA, menos o preço na ementa:

Custo de uma bebidaValor
Xarope (120 € ÷ 232 copos)0,52 €
Gás CO20,01 €
Copo, tampa e palhinha0,15 €
Total0,68 €

Os valores do CO2 e do copo são regras práticas: peça os seus preços aos fornecedores. Os 2,50 € na ementa já têm IVA. Na restauração, os refrigerantes pagam 23% de IVA no continente em 2026, por isso fica com 2,03 € (confirme no Portal das Finanças). A bebida custa-lhe 33% disso. As duas marcas emprestam a máquina porque ganham no xarope. Faça as suas contas da mesma forma que calcula o custo de um prato.

O rappel já está no preço

Cada euro que lhe devolvem é pago no preço de cada caixa. Digamos que chegam duas propostas para as mesmas 81 caixas:

Proposta AProposta B
Preço por caixa105 €120 €
RappelNenhum0,80 € por litro, pago uma vez por ano
Apoio de marketingNenhum500 € para imprimir ementas
Xarope do ano8.505 €9.720 €
Dinheiro devolvido0 €1.148 €
Custo real do ano8.505 €8.572 €

A proposta B parece mais generosa e custa mais 67 €. Também espera um ano pelo rappel, e só o recebe se chegar ao mínimo. Compare as propostas pelo preço por caixa depois de todo o rappel, num ano inteiro. Conte como 0 € os bilhetes, as viagens e as ofertas do comercial, porque não baixam o custo de uma bebida.

Quem compra centenas de caixas por ano tem um preço baixo e ainda dinheiro por cima. Com 81 caixas, tem uma coisa ou a outra.

Peça isto por escrito antes de assinar

  1. A data de fim, sem renovação automática. Ponha um lembrete no calendário 6 meses antes.
  2. O que paga se sair mais cedo. Peça o valor exato ao mês 12, 24 e 36.
  3. O que a exclusividade cobre: só a máquina, ou também latas, água, sumos, ice tea, bebidas energéticas e as águas tónicas do bar.
  4. Exceções para o que já vende, como uma gasosa de um pequeno produtor português. O contrato da Rubio's deixava uma torneira servir uma marca que não era da Coca-Cola.
  5. O mínimo de xarope, e o que acontece se comprar menos. Alguns contratos passam então a cobrar uma renda pela máquina.
  6. A lista completa das bebidas que pode encomendar na sua zona, com os códigos de artigo. Há donos que contam promessas do comercial que o armazém da zona não tinha.
  7. Um limite aos aumentos de preço por ano, como a inflação em Portugal medida pelo INE, no máximo. Nos EUA, o xarope para cadeias subiu cerca de 25% em cinco anos (Modern Restaurant Management, novembro de 2025).
  8. Prazos de reparação: quanto tempo demora um técnico quando uma bebida deixa de sair, e que peças arranjam sem cobrar.
  9. Se as caixas que compra através de um distribuidor de bebidas contam para o seu rappel e para o seu mínimo.
  10. Quem traz o CO2, e de quem é a máquina de gelo que ajudem a pagar.
  11. A data de instalação e o modelo exato da máquina. Duas semanas antes de abrir, peça que confirmem que a máquina está no armazém deles.

O último ponto vem de um dono nos EUA cuja equipa de instalação chegou uma semana antes da abertura sem a máquina certa.

Pague-lhes da forma segura

Use uma só forma de pagar e mantenha o controlo. Esse mesmo dono pagou a primeira encomenda com um cheque visado. Também tinha assinado uma autorização de débito direto, que deixa uma empresa tirar dinheiro diretamente da sua conta. No dia seguinte, a empresa tirou o mesmo valor por débito, e outra vez uma semana depois. Oito semanas depois, não tinha recebido nada de volta.

  • Não assine a autorização de débito direto antes de a primeira encomenda chegar e a fatura estar certa.
  • No homebanking ou num Multibanco, ponha um valor máximo nessa autorização, como um mês de xarope. Aí também pode bloquear os débitos de outras empresas.
  • Veja a conta na manhã a seguir a cada encomenda. O prazo para pedir o dinheiro de volta depende do tipo de autorização (veja as regras abaixo).

Se faltar dinheiro, envie um e-mail à faturação da empresa com as linhas do seu extrato, e guarde todas as respostas.

Quando a máquina avaria

Nos EUA, donos das duas marcas contam a mesma história. A visita do técnico fica para daqui a 1 a 2 semanas. O técnico encontra um problema diferente do que estava no pedido, e o trabalho volta para a fila mais duas semanas. Só a empresa pode mexer na máquina dela, por isso espera.

Encurte a espera:

  • Ligue para o apoio ao cliente, não para o seu comercial, e anote o número do pedido. A CCEP atende no 808 200 248 e no portal MyCCEP. A Sumol+Compal atende no 808 200 232.
  • Diga o que vê, não o que acha: «A torneira da Coca-Cola deita a bebida sem gás, as outras cinco estão bem, a garrafa de CO2 está cheia.» Assim, vem o técnico certo à primeira.
  • Ensine à equipa: trocar a caixa de xarope e ver se encaixa, trocar a garrafa de CO2 e limpar os bicos todas as noites.
  • Tenha uma caixa de reserva de cada sabor que mais vende, para que uma caixa vazia nunca vire um pedido de reparação.
  • Mantenha um frigorífico cheio de latas, para continuar a vender cola enquanto espera.
  • À segunda visita falhada, envie um e-mail ao seu comercial com os números dos pedidos e peça-lhe que resolva.

A terceira opção: uma máquina sua e uma marca mais pequena

Com uma máquina sua, fica livre dos dois contratos. Uma máquina de balcão de 4 torneiras, a Postmix PRO X50-4, custa 4.499 € sem IVA na PostmixSirup24 (setembro de 2026). Arrefece a bebida, junta o gás à água e traz o filtro de água e as bombas do xarope. Junta a linha de água, o CO2 e a eletricidade, e as reparações ficam por sua conta.

O xarope de cola da própria loja custa menos de metade. A caixa de 10 L de Cola (Premium A) custa 54,99 € sem IVA e também faz 65 L (setembro de 2026). São 0,24 € de xarope por bebida em vez de 0,52 €.

Bebidas por dia, 6 dias por semanaPoupança em xarope por anoTempo para pagar 4.499 €
201.747 €2,6 anos
605.242 €10 meses
1008.737 €6 meses

O problema é o cliente que pede «uma Coca-Cola». A equipa tem de dizer o que serve, sempre (veja as regras abaixo). Isto funciona melhor onde as bebidas fazem parte da razão da visita. Encaixa bem um refrigerante artesanal na torneira, e também gasosas e refrigerantes de garrafa vendidos a um preço mais alto. Os donos que escolheram este caminho contam margens melhores numa bebida que também podiam vender mais barata.

Regras em Portugal a conhecer (2026)

Servir outra cola

A ASAE fiscaliza as práticas comerciais enganosas, previstas no Decreto-Lei n.º 57/2008. Servir outra marca a quem pediu «uma Coca-Cola», sem avisar, engana o cliente sobre o que compra. O cliente também pode escrever no Livro de Reclamações. Treine a equipa para dizer «Temos Pepsi, pode ser?» e esperar pelo sim. Faça o mesmo com uma cola de outra marca.

Dinheiro tirado da sua conta

Os débitos diretos seguem as regras europeias SEPA, e o Banco de Portugal explica-as no Portal do Cliente Bancário. Na autorização normal, chamada Core, tem 8 semanas depois do débito para pedir o dinheiro de volta ao banco, sem dar razão. Para um débito que nunca autorizou, o prazo vai até 13 meses. Na autorização B2B, feita só para empresas, um débito autorizado não volta para trás. Se o fornecedor pedir uma autorização B2B, pague por transferência depois de ver a fatura. Pergunte ao seu banco que prazos valem para a conta da empresa.

A canalização da máquina

A água com gás que volta para tubos de cobre dissolve o cobre, que passa para a água de beber. Por isso, a máquina precisa de uma válvula antirretorno antes do carbonatador, a peça que junta o gás à água. A válvula fica depois de qualquer tubo de cobre. Na Europa, a proteção da água da rede contra o retorno segue a norma EN 1717. Numa máquina emprestada, peça ao técnico que confirme a válvula. Numa máquina sua, chame um canalizador. Confirme as regras com a entidade que fornece a água no seu concelho. Ponha também a limpeza da máquina no seu plano HACCP, que a ASAE pode pedir para ver.

Qual escolher

  • Escolha a Coca-Cola se tem um bar ou um restaurante com uma carta de bebidas completa, onde o cliente pede bebidas misturadas pelo nome.
  • Acima de cerca de 70 bebidas por dia, peça as duas propostas com os 11 pontos acima e escolha o custo real mais baixo. Se ficarem a poucos euros por caixa, escolha a Coca-Cola num bar e a Sumol+Compal numa casa de almoços que vende Compal e Ice Tea.
  • Abaixo de cerca de 70 por dia, compre uma máquina sua e uma marca mais pequena, se os clientes aceitarem uma cola que não conhecem. Se não aceitarem, escolha a empresa que lhe dá a máquina completa com reparações grátis.
  • Abaixo de cerca de 20 por dia, esqueça a máquina e venda latas e garrafas de um frigorífico.
  • Se abre em menos de 6 semanas, escolha a empresa que confirma por escrito que a sua máquina está em armazém. Mantenha a outra proposta aberta até a instalação estar feita.
  • Se está preso num contrato de que não gosta, não saia de repente. Peça o valor que teria de devolver e comece a falar com a outra empresa 6 meses antes da data de fim.