20 Ideias de Texto para o Cabeçalho e o Rodapé da Ementa: Boas-Vindas, Regras da Casa, Promoções (2026)
Há dois blocos de texto na sua ementa digital que quase todos os clientes leem, e que quase todos os restaurantes deixam em branco. Um fica por cima da primeira categoria. O outro fica por baixo do último prato. O cabeçalho é a primeira coisa que alguém vê depois de apontar o telemóvel ao código da mesa. O rodapé é a última coisa que vê antes de pousar o telemóvel virado para baixo e voltar à conversa.
Resposta curta: ponha umas boas-vindas curtas e uma indicação útil no cabeçalho — duas linhas, 15 a 25 palavras, nada de parágrafos. Ponha as regras da casa, os avisos legais e o "e agora?" no rodapé — alergénios, aviso sobre comida crua se servir alguma coisa mal passada, couvert e IVA, formas de pagamento, Wi-Fi, redes sociais e o pedido de avaliação. Escreva isto em todos os idiomas que publica, não só em português. Mantenha o cabeçalho abaixo dos 200 caracteres e o rodapé abaixo dos 800. Depois troque a linha da promoção quatro vezes por ano, porque uma mensagem que nunca muda deixa de ser lida.
É esta a forma. Em baixo ficam 20 ideias de texto para cabeçalho e rodapé, com frases que pode copiar tal e qual, mais as linhas que chateiam as pessoas em silêncio e as que a lei em Portugal obriga mesmo a ter.
Cabeçalho ou rodapé: o que vai onde
Errar aqui é o engano mais comum. As pessoas metem o aviso dos alergénios e o horário todo no cabeçalho, e um cliente que só queria ver os hambúrgueres tem de passar por uma parede de texto até chegar à comida.
A divisão que funciona é esta:
| Bloco | Função | Tamanho | O que lá deve estar |
|---|---|---|---|
| Cabeçalho | Dar as boas-vindas, orientar, criar uma expectativa | 15–25 palavras, 1–2 linhas | Saudação, quem é a casa, como se faz o pedido, a sugestão de hoje, nota sobre idiomas |
| Rodapé | Regras, letras pequenas, o que fazer a seguir | 60–120 palavras | Alergénios, aviso sobre comida crua, couvert e IVA, formas de pagamento, Wi-Fi, redes sociais, pedido de avaliação, horário, morada |
A regra por trás da regra: o cabeçalho está entre um cliente com fome e a comida. Esse espaço é caro. Cada palavra que está lá em cima tem de merecer o lugar, porque está a atrasar o jantar.
O rodapé é o contrário. Quem chega ao seu rodapé já passou a ementa toda. Está descontraído, está a namorar os pratos, e é exatamente a pessoa que vai mesmo ler uma nota sobre a promoção de terça.
A regra do cabeçalho: duas linhas, uma função
Um bom cabeçalho faz uma coisa bem feita. Não quatro coisas mal feitas.
Veja a diferença:
Fraco: "Bem-vindo ao nosso restaurante! Estamos abertos de segunda a domingo, das 11h às 23h. Usamos só os ingredientes mais frescos. Por favor, informe o empregado de mesa de qualquer alergia. Siga-nos no Instagram! Também fazemos catering e eventos privados. Palavra-passe do Wi-Fi: convidado2026."
Forte: "Bem-vindo à Casa Mendes. Fazemos tudo na hora, por isso dê-nos uns minutos — vale a pena."
O segundo tem 16 palavras. Dá as boas-vindas, explica a espera antes de alguém ficar impaciente, e tem alguma personalidade. Tudo o resto da primeira versão pertence ao rodapé, onde não está em cima da comida.
Mais uma coisa antes da lista. Escreva como uma pessoa, não como uma empresa. "Aguardamos a sua visita com o maior prazer" é uma frase que ninguém disse em voz alta na vida. "Ainda bem que veio" já é. Leia o seu cabeçalho alto — se tivesse vergonha de dizer aquilo a um cliente à porta, reescreva.
Mensagens de boas-vindas: ideias 1–7
1. As boas-vindas simples e calorosas
A opção mais segura, e mesmo assim melhor do que uma caixa vazia. Diga o nome da casa, junte um sentimento, pare.
"Bem-vindo ao Café Norte. Esteja à vontade — aqui não há pressa."
"Olá. Ainda bem que nos encontrou. Tudo o que está nesta ementa é feito por nós."
Porque é que resulta: transforma um ecrã numa saudação. Um cliente que aponta o telemóvel a um código e cai numa lista de preços sente que está a usar uma máquina de vending. Doze palavras resolvem isso.
2. Quem é a casa, numa linha
Tem uma história. A maioria dos restaurantes esconde-a numa página "Sobre nós" que ninguém abre. A ementa é onde as pessoas estão mesmo.
"Casa de família desde 1998. Terceira geração na cozinha, as mesmas receitas."
"Um cozinheiro, um forno a lenha, e o que o mercado tinha esta manhã."
Fique-se por uma linha e seja concreto. "Apaixonados pela comida" não diz nada — todos os restaurantes do mundo assinavam aquilo. "A mesma massa mãe desde 2011" é um facto, e os factos ficam.
3. Como se faz o pedido aqui
O cabeçalho mais subestimado desta lista. Se a forma de pedir não for óbvia, os clientes hesitam, e um cliente a hesitar pede menos.
"Peça ao balcão, nós levamos à mesa. O número da mesa está no cartão."
"Veja aqui e depois faça sinal — um empregado de mesa vai anotar o seu pedido."
"Peça e pague pelo telemóvel. A sua mesa já está preparada."
Esta linha sozinha mata aquele momento estranho do "vou lá acima ou espero?" que lhe custa cinco minutos em cada mesa. É ainda mais útil se acabou de mudar para pedidos a partir da mesa e metade dos seus habituais ainda espera o método antigo.
4. De onde vem a comida
A origem vende, e vende melhor em oito palavras do que num parágrafo.
"Peixe da lota desta manhã. Legumes da Quinta do Vale, a 20 km daqui."
"Pão cozido aqui às 5h. Quando acaba, acaba."
Dois avisos. Só escreva isto se for verdade — alguém vai perguntar, e os seus empregados de mesa têm de conseguir responder. E diga o nome da quinta, do barco ou da estrada. Origens vagas ("ingredientes de produtores locais") soam a publicidade. Origens concretas soam a orgulho.
5. As boas-vindas para turistas
Se está perto de uma zona turística, este cabeçalho faz mais pelo seu ticket médio do que qualquer outra coisa que venha a escrever.
"Bem-vindos! Ementa disponível em inglês, espanhol e francês — mude no topo. Preços com IVA incluído."
"Welcome. Toque na bandeira para mudar de idioma. Sem couvert obrigatório."
Três coisas numa linha: uma saudação, um empurrão para trocar de idioma e a resposta sobre dinheiro que os deixa nervosos. Os turistas têm mais medo de pagar a mais do que da comida. Responda antes de eles perguntarem.
Se recebe visitantes com regularidade, vale a pena ler sobre ementas QR multilingues para turistas — o cabeçalho só serve se a troca que promete existir mesmo.
6. A nota do "mudou uma coisa"
Ementa nova, cozinheiro novo, horário novo, reabertura depois de obras. Os habituais reparam, e é melhor que saibam por si.
"Ementa nova de outono, a partir de hoje. Os seus favoritos de sempre estão em Clássicos."
"Cozinheiro novo, pratos novos. O mesmo cozido à portuguesa — não somos parvos."
Esta tem prazo de validade. Ponha um lembrete para a tirar dali a três ou quatro semanas, senão passa a ser mentira.
7. A linha do "não sabe o que pedir?"
O cansaço de decidir é real, e um cliente preso entre seis pratos principais acaba a pedir o mais barato ou o mais conhecido. Um cabeçalho pode empurrá-lo.
"Primeira vez? Peça a bochecha de porco. Nunca ninguém se arrependeu."
"As escolhas do chef estão marcadas com uma estrela. Comece por aí."
Isto é venda educada, feita uma vez, no topo, sem obrigar um empregado de mesa a fazer o número. Aponte para um prato de que tem orgulho e que dá boa margem — o que é uma decisão de engenharia de ementas mais do que de escrita.
Regras da casa que não parecem regras: ideias 8–14
O truque com as regras é este. Os clientes não se importam que lhes expliquem como as coisas funcionam. Importam-se que lhes chamem a atenção. Todas as linhas em baixo podem ser escritas das duas maneiras, e a diferença vale dinheiro a sério em gorjetas e avaliações.
8. A linha dos alergénios — o texto mais importante da sua ementa
Se este ano só escrever uma linha no rodapé, escreva esta.
"Tem alguma alergia alimentar? Diga ao empregado de mesa antes de pedir — explicamos-lhe prato a prato."
Na União Europeia, o Regulamento (UE) n.º 1169/2011 nomeia 14 alergénios: cereais com glúten, crustáceos, ovos, peixe, amendoins, soja, leite, frutos de casca rija, aipo, mostarda, sementes de sésamo, dióxido de enxofre e sulfitos, tremoço e moluscos. Em Portugal, o Decreto-Lei n.º 26/2016 obriga a que essa informação esteja disponível antes de o cliente fazer o pedido, para todos os pratos, por escrito ou claramente sinalizada, com um registo que a equipa consiga mostrar a quem o peça. Quem fiscaliza é a ASAE, e não há isenção para casas pequenas.
Mais duas razões para levar isto a sério. Um cliente que não consegue uma resposta não pede nada, ou vai-se embora. E uma ementa digital faz muito melhor do que uma nota lá no fim — marcar os alergénios prato a prato ganha sempre a uma parede de texto. Como declarar alergénios numa ementa digital explica como montar isso, e as regras dos alergénios na Europa tem a parte legal com detalhe.
9. O aviso sobre comida crua ou mal passada
Se serve alguma coisa crua ou mal passada — hambúrguer mal passado, tártaro, ostras, ovo escorrido, sushi, carpaccio —, diga-o na ementa. É o clássico asterisco no rodapé.
"*Os pratos marcados são servidos crus ou mal passados. Comer carne, aves, peixe, marisco ou ovos crus ou mal passados pode aumentar o risco de doença de origem alimentar, sobretudo em grávidas, crianças, idosos e pessoas com o sistema imunitário mais frágil."
Marque os pratos com o asterisco e ponha a nota no rodapé. Em Portugal a lei não obriga a imprimir este aviso, mas há uma regra ao lado que é mesmo obrigatória e que a ASAE verifica: o peixe que vai ser servido cru, marinado ou fumado a frio tem de ser congelado antes — pelo menos 24 horas a -20 °C, por causa do anisakis, como manda o Regulamento (CE) n.º 853/2004. Se o seu sushi ou o seu ceviche passam por aí, escreva-o. "Peixe congelado como a lei exige" tranquiliza mais gente do que imagina.
10. "Tudo é feito na hora"
Esta linha evita mais avaliações más do que qualquer outra frase deste artigo.
"Cada prato é feito na hora em que o pede. Nas noites cheias, os principais demoram 20 a 25 minutos. Obrigado pela paciência."
Dizer o número é que é o truque todo. Um cliente a quem disse "20 minutos" e que espera 22 fica bem. Um cliente a quem não disse nada e que espera 18 começa a olhar para o telemóvel ao minuto 10. A expectativa ganha à velocidade quase sempre — que é a mesma razão por que "esperar 45 minutos pela comida é normal?" é uma queixa tão comum.
11. Couvert, IVA e gorjetas — diga antes de a conta chegar
Surpresas com dinheiro no fim de uma boa refeição são a forma mais rápida de transformar uma mesa feliz numa avaliação de uma estrela.
"Couvert 3,50 € por pessoa: pão, manteiga e azeitonas. Pode recusar, sem problema nenhum."
"Sem couvert e sem taxas escondidas. Todos os preços já incluem IVA. A gorjeta é sempre bem-vinda e dividida por toda a equipa."
Em Portugal isto não é só boa educação, é lei. Os preços têm de estar à vista e já com o IVA e todos os encargos incluídos, e o couvert tem de estar na ementa, com o preço, item a item. Se não estiver, o cliente não é obrigado a pagá-lo — e pode sempre recusá-lo, mesmo quando está lá escrito. A ASAE multa casas por causa disto todos os verões. O rodapé da ementa é o sítio natural para essa informação.
Se ainda está a decidir se deve cobrar alguma coisa, o que é a taxa de serviço e se deve cobrá-la mostra os dois lados. E se quer perceber a fundo por que razão o preço na ementa já tem de incluir o imposto, veja preços na ementa com IVA incluído ou sem IVA.
12. Formas de pagamento e valor mínimo no cartão
Barato de escrever, evita uma discussão por semana.
"Cartão, MB Way e dinheiro. Sem valor mínimo."
"Só cartão e MB Way — não temos dinheiro na casa."
"Cartão a partir de 5 €, desculpe. Casa pequena, margens pequenas."
A última resulta porque se explica a si própria em quatro palavras. Uma regra com um motivo cai de maneira completamente diferente de uma regra sem motivo.
13. Dividir a conta — diga a sua regra logo no início
Os grupos pensam nisto desde o momento em que se sentam, e perguntar no fim é sempre embaraçoso.
"Dividimos a conta como quiser — é só dizer quando fizer o pedido."
"Aceitamos até 4 cartões por mesa. Acima disso, um pagamento só, por favor."
Até a versão mais fechada passa bem quando está escrita. Só irrita quando aparece de surpresa depois da sobremesa. Se dividir contas é uma dor de cabeça na sua sala, como lidar com contas divididas trata da parte prática.
14. Grupos grandes, tempo de mesa e as regras pequenas
Taxa de rolha, bolos de aniversário, cães, portáteis, limites de tempo à mesa. Não é o tema preferido de ninguém, e fica muito melhor por escrito do que numa conversa tensa.
"Às sextas e sábados à noite, a mesa é sua durante 2 horas. Durante a semana, fique o tempo que quiser."
"Traga o seu bolo — 2 € por pessoa por pratos e velas. Traga o seu vinho — 10 € de taxa de rolha."
"Cães bem-vindos na esplanada. Portáteis bem-vindos até ao meio-dia."
Escreva isto com a voz de quem está a fazer um favor, não de quem está a impor a lei. "A mesa é sua durante 2 horas" e "tempo máximo de mesa 2 horas, sem exceções" dizem a mesma coisa e caem em sítios completamente diferentes.
Promoções e próximos passos: ideias 15–20
O rodapé é o único sítio da ementa onde uma promoção não parece publicidade, porque o cliente já escolheu estar ali.
15. A sugestão do dia ou a janela do happy hour
"Happy hour das 17h às 19h, todas as bebidas com menos 1,50 €. Sim, o gin bom também."
"Menu de almoço até às 15h: sopa, prato e café por 12 €."
Meta lá uma hora. Uma promoção sem prazo é só um preço. Ponha isto no cabeçalho se for urgente e mudar todos os dias, e no rodapé se for uma coisa fixa da semana.
16. A promoção para os dias fracos
Olhe para o seu pior dia. Agora escreva uma linha que o resolva.
"As terças são fracas, por isso a massa fica a 8,50 € toda a noite. Diga aos seus amigos."
"Domingo das 17h às 19h: crianças comem de graça com qualquer prato principal. Precisamos do barulho."
A honestidade é que é o marketing. Os clientes sabem que as terças são mortas — dizê-lo em voz alta faz com que a promoção pareça um convite e não um desconto. Se os dias da semana vazios são o seu problema a sério, há mais em como encher mesas nos dias fracos.
17. A linha do Wi-Fi
A linha de rodapé mais lida em qualquer café, e a que poupa a sua equipa de soletrar uma palavra-passe quinze vezes por turno.
"Wi-Fi grátis: CafeNorte_Convidados — sem palavra-passe."
"Wi-Fi: CafeNorte_Convidados / Palavra-passe: galao2026"
Melhor ainda, junte-lhe um código na mesa para ninguém ter de escrever nada. Como fazer um QR code de Wi-Fi para as mesas demora uns cinco minutos.
18. Siga-nos — com um motivo
"Siga-nos no Instagram" é papel de parede. Ninguém segue um restaurante porque ele pediu.
"@cafenorte — pomos lá a lousa das sugestões todas as manhãs às 8h."
"Siga-nos para ver a ementa de sexta. Sinceramente, é o único motivo."
Dê às pessoas uma tarefa que a conta faz por elas. "Ver as sugestões de amanhã primeiro" é um benefício. "Siga-nos" é uma chatice.
19. O pedido de avaliação — só no rodapé, e curto
O rodapé é mesmo o sítio certo para isto, porque o cliente chega lá depois de comer e não antes.
"Se gostou, uma avaliação no Google ajuda-nos mais do que imagina. Demora 10 segundos."
Dizer quanto tempo demora baixa a barreira mais do que qualquer frase educada. Nunca ponha isto no cabeçalho — pedir uma avaliação antes de a comida chegar é a forma mais rápida de parecer que não está a falar a sério. Se as avaliações contam para as suas reservas, como conseguir mais avaliações no Google mostra o quadro todo.
20. "Fazemos mais do que esta sala"
A maioria dos clientes não faz ideia de que faz catering, entregas ou festas privadas. O seu rodapé é publicidade grátis a pessoas que já gostam de si.
"Entregamos até 3 km, das 17h às 22h. Peça em cafenorte.pt."
"Aluguer da sala para até 30 pessoas. Fale connosco ou escreva para [email protected]."
"Fechado agora? A cozinha aceita encomendas para amanhã."
Para a maioria dos restaurantes, esta é a linha mais valiosa do rodapé todo, e é a que falta mais vezes. Junte os horários e os limites para ninguém ficar desiludido — como definir taxas de entrega, valores mínimos e zonas explica quais devem ser esses números.
Seis regras para escrever o texto
1. Uma ideia por linha. Um rodapé com seis linhas curtas é lido. Um rodapé que é um parágrafo comprido é saltado por inteiro.
2. Cabeçalho abaixo de 200 caracteres. São mais ou menos duas linhas no telemóvel. Mais do que isso e está a empurrar a primeira categoria para fora do ecrã, o que lhe custa pedidos — o topo da ementa é o seu espaço mais valioso, como o design de menu digital explica com mais detalhe.
3. Rodapé abaixo de 800 caracteres. A maioria das ferramentas deixa escrever muito mais — dois mil caracteres é normal. Isso é um limite, não um objetivo.
4. Escreva as regras como favores. "Podemos fazer X" ganha sempre a "não fazemos Y", mesmo quando querem dizer exatamente a mesma coisa.
5. Nada de pontos de exclamação aos molhos. Um é simpático. Três fazem o seu restaurante parecer nervoso.
6. Leia em voz alta. Se soa a página de termos e condições, é isso mesmo que é. Reescreva como uma coisa que um anfitrião diria.
Escreva em todos os idiomas que publica
É aqui que a maioria das ementas multilingues se desmancha. Os nomes dos pratos são traduzidos e o cabeçalho e o rodapé ficam em português — por isso um cliente alemão recebe uma ementa muito bem traduzida com umas boas-vindas em português e um aviso de alergénios em português por cima dela.
É o pior resultado possível, porque a linha dos alergénios é o único texto que o cliente precisa mesmo de perceber.
Três coisas a acertar:
- Traduza o sentido, não as palavras. Umas boas-vindas calorosas em português, traduzidas à letra, ficam muitas vezes duras ou estranhamente formais noutra língua. Deixe um falante nativo reescrever aquilo.
- Adapte as regras, não só o idioma. As gorjetas, a forma de mostrar o imposto e a taxa de rolha funcionam de maneira completamente diferente em Portugal, nos Países Baixos e na Turquia. Um rodapé que diz "a gorjeta é sempre bem-vinda" faz sentido em Nova Iorque e soa esquisito em Amesterdão, onde as equipas são pagas de outra forma.
- Confirme o comprimento. O alemão e o neerlandês são bastante mais compridos do que o português. Um cabeçalho que são duas linhas certinhas em português pode virar quatro em alemão e atirar a sua primeira categoria para fora do ecrã.
As boas ferramentas de ementas guardam o texto do cabeçalho e do rodapé por idioma, para poder escrever uma mensagem diferente em cada um em vez de traduzir uma frase só. Use isso como deve ser — como traduzir a ementa do seu restaurante trata do trabalho todo.
O que nunca deve pôr num cabeçalho ou num rodapé
Já vi todas estas em ementas a sério.
- O horário completo no cabeçalho. Quem está a ler a sua ementa normalmente já está sentado no seu restaurante. Já sabe que está aberto.
- Uma parede de texto legal lá em cima. Os avisos de alergénios e de comida crua pertencem ao rodapé, por baixo da comida, onde não tapam nada.
- "Tenham paciência com a nossa equipa." Lê-se como um aviso de que o serviço vai ser mau.
- Preços ou promoções fora de prazo. Um "Especial de Verão" ainda ali em novembro diz ao cliente que nada nesta ementa está atualizado.
- A palavra-passe do Wi-Fi que mudou o mês passado. Alguém vai tentar. Alguém vai reclamar.
- Um parágrafo sobre a sua filosofia. Ninguém aponta o telemóvel a um código à espera de ler uma declaração de princípios.
- "Preços sujeitos a alteração sem aviso prévio." Verdade em todos os restaurantes que já existiram. Não acrescenta nada e soa a defesa.
- Seja o que for em MAIÚSCULAS com mais de três palavras. Não parece urgente. Parece que está a gritar.
- Um número de telefone sem motivo para ligar. Dê-lhe uma função: "Ligue para grupos de mais de 8 pessoas."
- Emojis em vez de palavras. Um está bem. Uma fila deles faz um aviso legal parecer pouco sério, e lê-se muito mal em leitores de ecrã.
Troque a linha da promoção quatro vezes por ano
O texto do cabeçalho e do rodapé é o marketing mais barato que tem. Ao contrário de uma ementa em papel, mudá-lo não custa nada e demora dois minutos — e mesmo assim a maioria dos restaurantes escreve aquilo uma vez em 2023 e nunca mais lá volta.
Um calendário simples que funciona:
| Quando | Cabeçalho | Rodapé |
|---|---|---|
| Primavera | Pratos da nova estação, esplanada aberta | Horário da esplanada, promoção de domingo |
| Verão | Bebidas frescas, esplanada, nota sobre idiomas | Horário das entregas, Wi-Fi, redes sociais |
| Outono | Ementa nova, comida de conforto | Aluguer da sala para festas |
| Inverno | Ementa de Natal, horário das festas | Reservas de grupo, ideias de presente, pedido de avaliação |
Deixe as linhas permanentes — alergénios, aviso de comida crua, couvert, pagamentos — no sítio o ano todo. Só a linha de cima e a da promoção é que rodam. Dez minutos, quatro vezes por ano.
Como saber se está a resultar
Não pode testar uma mensagem de boas-vindas como se fosse uma página de vendas, mas também não está às escuras.
Veja até onde as pessoas descem. A maioria das plataformas de ementas digitais mostra a que categorias os clientes chegam mesmo. Se o seu cabeçalho passou de duas linhas para seis e menos gente chega à segunda categoria, a culpa é do cabeçalho.
Conte as perguntas que os seus empregados de mesa deixam de ouvir. Este é o sinal a sério, e chega no mesmo turno. Quando "qual é o Wi-Fi?" e "dividem a conta?" desaparecem da sala, o rodapé está a fazer o seu trabalho.
Olhe para o prato que apontou. Se o cabeçalho diz "peça a bochecha de porco" e as vendas da bochecha não mexem em duas semanas, ou a linha não está a ser lida ou o prato não é a estrela que julga. Um relatório de mais vendidos responde a isso num minuto.
Leia as avaliações do último mês. Queixas sobre tempos de espera, valores inesperados ou "ninguém nos disse" são quase sempre um problema de rodapé disfarçado de problema de serviço.
Mude uma coisa de cada vez. Mude o cabeçalho, o rodapé e os preços na mesma semana e nunca vai saber qual foi.
Perguntas frequentes
O que devo escrever no cabeçalho da ementa? Umas boas-vindas curtas e uma indicação útil — 15 a 25 palavras, duas linhas no máximo. Diga o nome da casa, junte uma linha de personalidade e crie uma expectativa, como a forma de pedir ou o tempo que a comida demora. Guarde as regras e o texto legal para o rodapé.
O que deve ter o rodapé de uma ementa digital? O aviso dos alergénios, um aviso sobre comida crua se servir alguma coisa mal passada, informação sobre couvert e IVA, formas de pagamento aceites, os dados do Wi-Fi e uma chamada à ação, como um pedido de avaliação ou o link das entregas. Em linhas curtas e separadas, não num parágrafo.
Qual é uma boa mensagem de boas-vindas para uma ementa? Uma coisa que diria mesmo à porta. "Bem-vindo à Casa Mendes. Fazemos tudo na hora, por isso dê-nos uns minutos — vale a pena" resulta porque cumprimenta, explica e tem voz. Fuja de "aguardamos a sua visita com o maior prazer", que ninguém diz em voz alta.
Sou obrigado por lei a ter um aviso de alergénios na ementa? Em Portugal, sim, em substância. O Regulamento (UE) n.º 1169/2011 e o Decreto-Lei n.º 26/2016 obrigam a que a informação sobre os 14 alergénios esteja disponível para todos os pratos antes de o cliente pedir, por escrito ou claramente sinalizada, com um registo que a equipa possa mostrar. Não existe isenção para casas pequenas e quem fiscaliza é a ASAE. Uma linha no rodapé a mandar avisar a equipa ajuda, mas não substitui a informação por prato.
O que é o aviso sobre comida crua ou mal passada? É a nota que diz que comer carne, aves, peixe, marisco ou ovos crus ou mal passados pode aumentar o risco de doença de origem alimentar, sobretudo para grávidas, crianças, idosos e pessoas com imunidade mais frágil. Em Portugal não é obrigatório imprimi-la, mas é boa prática. Já congelar previamente o peixe que vai ser servido cru ou marinado é obrigatório, e a ASAE verifica.
Tenho de mostrar o couvert e as taxas na ementa? Sim. Em Portugal os preços têm de estar à vista, já com IVA e encargos incluídos, e o couvert tem de aparecer na ementa com o preço discriminado. O cliente pode sempre recusá-lo. Mesmo onde não fosse obrigatório, escrevê-lo evita a queixa mais comum de todas, a do fim da refeição.
Que tamanho devem ter os textos do cabeçalho e do rodapé? Cabeçalho: abaixo de 200 caracteres, ou seja, cerca de duas linhas no telemóvel. Rodapé: abaixo de 800 caracteres, dividido em linhas curtas e separadas. A maioria das ferramentas deixa escrever dois mil caracteres por bloco, mas isso é um teto, não uma meta.
O cabeçalho e o rodapé devem ser traduzidos? Sim, e é a parte que quase todos os restaurantes esquecem. Um cliente a ler uma ementa em alemão com o aviso de alergénios em português não consegue usar a única linha que interessa mesmo. Escreva uma versão por idioma em vez de traduzir uma frase só, e confirme que as línguas mais compridas não empurram a primeira categoria para fora do ecrã.
Onde ponho o horário numa ementa digital? No rodapé, se for a algum lado. Quem está a ler a sua ementa normalmente já está dentro do restaurante. O horário conta mais para take-away e entregas, por isso ponha-o ao lado do link dos pedidos e não lá em cima.
Posso pôr uma promoção no cabeçalho da ementa? Pode, e é uma das melhores utilizações daquele espaço — desde que tenha uma hora lá dentro e a tire quando acabar. "Happy hour das 17h às 19h, todas as bebidas com menos 1,50 €" funciona. Um "Especial de Verão" ainda visível em novembro tira-lhe credibilidade em tudo o resto.
De quanto em quanto tempo devo mudar o texto do cabeçalho? Rode as linhas de boas-vindas e de promoção umas quatro vezes por ano, com as estações. Deixe as coisas fixas — alergénios, avisos, couvert, formas de pagamento — no sítio o ano inteiro. Cada mudança demora dez minutos.
Devo pedir avaliações no rodapé da ementa? Sim, mas só no rodapé, nunca no cabeçalho. Quem desceu até ao fim normalmente já comeu. Fique-se por uma linha e diga quanto tempo demora: "Demora 10 segundos" ganha a qualquer frase educada.
Uma nota sobre as ferramentas
Não precisa de nada de especial para isto. Qualquer plataforma de ementas digitais que valha a pena deixa-o definir um cabeçalho e um rodapé, e as boas guardam-nos por idioma, para cada versão se ler com naturalidade em vez de ser a tradução de uma tradução.
O Tabres faz assim — um campo de texto de cabeçalho e outro de rodapé no editor da ementa, por idioma, até 2.000 caracteres cada, com uma pré-visualização ao lado para ver exatamente quantas linhas as suas boas-vindas ocupam antes de empurrarem a primeira categoria para baixo. É grátis, sem custo por estabelecimento, e as nossas razões para isso são públicas.
Use a ferramenta que quiser. As 20 ideias em cima também funcionam numa ementa em papel — só que aí custa dinheiro mudá-las.
O cabeçalho e o rodapé são as únicas partes da ementa onde pode falar em vez de vender. Isso é mais raro do que parece. Todo o resto da página é um nome, uma descrição e um preço.
Por isso escreva as boas-vindas que diria à porta. Ponha as regras onde não tapam a comida e escreva-as como um favor e não como uma proibição. Acerte na linha dos alergénios, confirme o que a lei lhe pede e traduza tudo como deve ser. Depois marque no calendário o primeiro dia de cada estação para trocar a linha de cima.
Abra a sua ementa hoje à noite, numa mesa a sério, num telemóvel a sério. Se o cabeçalho estiver vazio, está a perder os noventa segundos de trabalho mais fáceis do seu restaurante. Se tiver seis linhas, está a pagar esse espaço com pedidos de jantar.